Viver no meio musical

Musicista confessa que há dificuldades no meio musical, mas que vale a pena viver da música

Caroline Ayala Silvestre

O interesse pela música está presente de algum modo em quase todas as pessoas, mas em algumas o amor por essa arte torna a escolha por uma carreira musical algo inevitável. Contudo, muitos dos que se deparam com a vocação e paixão pela música temem a falta de trabalho e de retorno financeiro e encontram dificuldades na falta de valorização da profissão.

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HCR Studio, da musicista Hadassa Reinato, onde leciona aulas de música. PH: Caroline Ayala

 Hadassa Colognesi Reinato, 23, de Jaú, formada em música pela Universidade do Sagrado Coração, leciona aulas de música há 5 anos e conta que o apoio da família no momento de escolher seguir carreira na área de música foi essencial, seus pais também envolvidos com a música, sempre incentivaram os estudos e ajudaram a montar o estúdio onde leciona aulas de violão, guitarra, teclado e bateria.

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Musicista Hadassa Colegnato Reinato tocando guitarra em seu estúdio. PH: Caroline Ayala

Artistas da área musical que lecionam encontram dificuldades pela renda não ser fixa, há possibilidade de perder alunos no próximo mês e isto dificulta, por exemplo, realizar um investimento maior ou uma reforma no estúdio. No início, a musicista conta que começou com dois alunos e recebia apenas 140 reais por mês e a ajuda da família foi fundamental para persistir na carreira de música. “Na minha faculdade tinha muitos alunos que falavam que os pais não apoiaram de fazer música e meu pai apoiou e foi um diferencial”, enfatiza Hadassa Reinato, que destaca o gasto que teria se a família não tivesse ajudado e precisa se alugar um ambiente para lecionar as aulas.

            Outra dificuldade é a valorização do músico, como evidencia Hadassa “as vezes os pais acham caro o valor da aula e a gente fica sem saber o que fazer, por que não sabem que a gente precisou vender um carro para estar aqui, não sabem quanto custou a reforma do estúdio ou quanto custa para eu estar aqui”. A musicista diz que a área de música também é muito diminuída e que já questionaram se ela não trabalha ou trabalha apenas com música.

            Contudo, apesar da falta de reconhecimento da profissão a musicista tem paixão pela música e por lecionar.“É muito gosto quando o aluno chega e fala professora consegui fazer essas notas e faz certinho, um aluno mandando vídeo na semana falando estou estudando tal coisa, então o ponto positivo é a felicidade que você tem de ver que seu aluno está evoluindo em algo que você está passando para ele”, revela Hadassa Reinato.

            Para a musicista, cursar educação superior na música foi importante para adquirir além do conhecimento musical o conhecimento pedagógico. “A gente aprendeu educação infantil, pedagogia, psicologia, tivemos estágio, conhecemos escolas, crianças, então a faculdade foi muito bom para mim na parte pedagógica, na parte musical também foi muito boa eu aprendi violão popular, músicas populares, a cultura do piano, músicas diferentes, aprendi flauta doce que dou aula hoje em dia”, conta Hadassa Reinato.

            A musicista também é colaboradora da Associação de músicos e leciona aulas de flauta para 40 alunos em um projeto idealizado pela Associação de Músicos em uma escola no bairro Maria Luiza IV, em Jaú.

Musicista tocando bateria, um dos instrumentos dentre os quais leciona aulas em seu estúdio.

    O mercado de trabalho no meio musical é competitivo o que torna a música uma área desafiadora, a concorrência que diminui a outra no caso de lecionar aulas de música ou para quem trabalha com gravação são poucos os estúdios, por exemplo, na cidade de Jaú, e para entrar nesse meio é muito difícil. Para quem toca na noite as dificuldades são ainda mais intensas como para conquistar seu lugar e provar que é bom ou com a concorrência do grupo que cobra menos, e a falta de valorização do trabalho do músico que envolve gastos como o combustível para chegar até o local, o tempo de trabalho que teve para tirar a música e o próprio desgaste da noite.

            Hadassa conta que teve experiência com uma banda só de mulheres e também percebeu o preconceito quando marcavam para tocar em algum lugar e o estabelecimento pagava menos do que para uma banda com integrantes homens e que as pessoas se espantavam quando viam que estavam tocando bem, mas a musicista realça que tem vontade de voltar a ter uma banda só de mulheres até mesmo para mostrar o poder feminino.

            Quem vive de música também não tem um horário de trabalho comercial, em seu estúdio Hadassa leciona aulas até o período da noite o que dificulta, por exemplo, um projeto de uma banda, visto que o desencontro dos horários dos integrantes que trabalham com música em suas diversas áreas complica encontrarem um momento para ensaiar.

  A música é linda e você viver disso é sensacional. – Hadassa Colognesi Reinato

A musicista ressalta para quem tem vontade de viver da música que deve tentar seguir a carreira na área, mas frisa que o profissional tem que persistir bastante. “A música é um negócio lindo tanto dar aula, quanto você tocar e fazer gravação num estúdio, tocar numa banda, numa igreja, em qualquer lugar a música é linda e você viver disso é sensacional, mas assim como qualquer outra profissão você tem que persistir e se formar para isso é melhor ainda, porque você vai ter chance de dar aula em uma escola, a faculdade de música ela abre portas para isso, mas a música é maravilhosa e dar aula é muito bom”, finaliza a musicista Hadassa Reinato.

Musicista toca Guitarra em seu estúdio, HCR Studio.

 


Musicista conta sua relação intrínseca com a música que vem antes mesmo de nascer

Hadassa Colognesi Reinato posta vídeos tocando guitarra na página do seu estúdio no Facebook e toda a produção que envolve, por exemplo, a gravação da bateria e do teclado, além da edição do vídeo é realizado pela musicista. Podem conferir na página  @hcrmusica no Facebook.

 

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